quinta-feira, 30 de julho de 2009

Covardia

Agora ele corria, podia fazer muito mais ele sabia, mas apenas corria. E enquanto corria lembrava de seus parceiros mortos. E enquanto corria levantava gotas de sangue das poças espalhadas pelo chão. Todo o treinamento do mundo não valiam a iminência da morte, e ele apenas corria.
Deu uma singela olhada para trás, o monstro de metal juntava o que havia sobrado de seus companheiros numa pilha humana. Não havia como vencer aquela guerra. Ela já estáva decidida desde antes dele nascer. Mas a centelha de esperança havia sido acesa pelo seu comandante. Bonitas palavras. Agora jaziam em pendaços ao sangue, assim como todos. E ao ver a cabeça do capitão sendo esmagada, a lamparina que mantinha sua centelha foi junto. E por isso, ele apenas correu.
Correu e correu até suas pernas não aguentarem mais o peso no impacto entre seus pés e seu corpo. E quando percebeu que o corpo cedia, ele correu mais.
Seus músculos então enrijeceram, seu pulmão buscou desesperadamente ar, e seus pés foram de encontro a uma pequena pedra no meio do caminho, e seu corpo pendeu, e sentiu o nariz quebrar com o impacto no chão.
Ficou lá, deitado, chorando, esperando o destino fatal. Fechou os olhos, e uma última vez, ele correu.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

Um comentário:

Tamy disse...

Triste, triste. Ser covarde é triste. =/