quinta-feira, 30 de julho de 2009

Covardia

Agora ele corria, podia fazer muito mais ele sabia, mas apenas corria. E enquanto corria lembrava de seus parceiros mortos. E enquanto corria levantava gotas de sangue das poças espalhadas pelo chão. Todo o treinamento do mundo não valiam a iminência da morte, e ele apenas corria.
Deu uma singela olhada para trás, o monstro de metal juntava o que havia sobrado de seus companheiros numa pilha humana. Não havia como vencer aquela guerra. Ela já estáva decidida desde antes dele nascer. Mas a centelha de esperança havia sido acesa pelo seu comandante. Bonitas palavras. Agora jaziam em pendaços ao sangue, assim como todos. E ao ver a cabeça do capitão sendo esmagada, a lamparina que mantinha sua centelha foi junto. E por isso, ele apenas correu.
Correu e correu até suas pernas não aguentarem mais o peso no impacto entre seus pés e seu corpo. E quando percebeu que o corpo cedia, ele correu mais.
Seus músculos então enrijeceram, seu pulmão buscou desesperadamente ar, e seus pés foram de encontro a uma pequena pedra no meio do caminho, e seu corpo pendeu, e sentiu o nariz quebrar com o impacto no chão.
Ficou lá, deitado, chorando, esperando o destino fatal. Fechou os olhos, e uma última vez, ele correu.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

terça-feira, 14 de julho de 2009

Péssima Idéia

Foi uma péssima idéia!
Eu descobri o esconderijo do maldito sangue-suga que andava se alimentando do pessoal aqui do bairro. Lógico, para não levantar suspeitas ele nunca matava ninguém, deixava a vítima num estado de torpor, como se tivesse trepado a melhor transa da vida, tirando que as feridas dos dentes aparentemente fecham-se entantâneamente. Mas eu não podia deixar o puto sugar o sangue da minha mulher e sair ileso.
Descobri o endereço de um pessoal, caçadores de mostros sengundo os mesmos. Um bando de fanáticos religiosos, só me serviram pra arrumar umas dicas e armamento.
Mas agora eu sei que foi uma péssima vir até a mansão do bairro, lar do maldito. Me disseram que uma estaca bastava, enfiei um trondo (porque convenhamos, aquela estava tinha tamanho suficiente pra matar um elefante...) nele e o escroto continua avançando, joguei alho, joguei cruzes, joguei água benta... Se eu sobreviver, os próximos da minha lista vão ser aqueles fudidos que me venderam essas porcarias.
Beleza, agora eu to num beco sem saída, atrás de mim tem uma parede, dos meus lados têm paredes, na minha frente tem um puto bem furioso. Ao menos eu interpreto aqueles olhos vermelhos, aquelas garras e aqueles dentes como sinais de fúria de qualquer coisa que levasse um pedaço de pau maior que a minha cabeça no meio do peito.
Eu não tenho muito o que fazer, me disseram que armas de fogo são inúteis contra vampiros... Porra, tudo que eles falaram falhou! Vamos ver do que minha doze é capaz!

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Eu sou Deus!

O tinha na mira, aquele bandidinho filho da puta, já estava com o refem a horas, era apenas puxar o gatinho e a cabeça do sujeito ia se espalhar por toda aquela pútrida casa e o refém ia sair ileso. A vida do bandido estava em suas mãos e pensava ele, "sim, agora eu sou Deus!"

Ele sabia que o tinham na mira, policiaizinhos de merda, acham que podem tudo, que estão acima da lei, pois veja isso agora, tinha a arma apontada para aquele covarde que tremia feito uma gelatina, um puxão de gatilho e ele estourava os miolos do miserável. Pensava ele dessa maneira: "Eu sou Deus agora!"

Um movimento em falso e o malinha atirava, ele sabia disso, sabia também que não podia contar com a polícia, estavam mais preocupados em matar o bandido , talvez matassem ele também, só por diversão. Mas ele tinha aquela tora, bem na sua frente, uma parte da parede de madeira que havia se soltado. Era fácil derrubar o bandido, ele está acuado, com medo, quase já não olha mais para ele. Ele sabe também que o mala está cansado, mal conseque segurar a arma mais, está distraído, um momento de distração e ele quebra as pernas do safado. Está em suas mão deixar o maldito ir preso ou mata-lo agora mesmo e alegar legítima defesa. Ele era Deus nesse momento.

Lá de cima alguém observa crianças brincando com brinquedos idiotas, a arma pode travar, o refém pode derviar, pode não haver tempo para pegar a tora de madeira. Olhando a decadência deles ele apenas vira e volta a jogar xadrez, "não, eles não valem a pena."

Conto baseado na coletânea de quatro contos de Wanderley Garcia, q por acaso ta seguindo esse blog... ^^

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

terça-feira, 7 de julho de 2009

Arrependimento

Chovia naquela noite de outono, ele adava pelas gélidas ruas em direção a casa dela. Ia viajar e provavelmente não teria outra chance se não tentasse, ele tinha que conseguir.
A cada passo que dava o seu coração batia mais forte. Tinha memorizado o que dizer, memorizado o que fazer, sabia todos os truques, recebeu todas as dicas. Mas aquilo realmente parecia mais difícil do que ele havia imaginado.
Continuou seguindo até avistar a rua em questão, virou na esquina, as pernas agora fraquejavam, e o coração... Ele não sabia por que ainda não havia tido uma parada cardiaca.
Parou diante da casa, olhou para o portão, o portão o encarou de forma ríspida e ele hesitou. Sabia que era apenas sua imaginação, seu inconsciênte dizendo para ele desistir. Mas ele tinha que apostar as fichas. Pela primeira vez ele ia arriscar algo, e isso parecia ser importante.
Deu um passo a frente, apertou a campainha, deu um passo para trás. Entrelaçou os dedos, tinha essa mania. Ela surgiu na porta, sorriu, seu coração bateu ainda mais forte e ela se encaminhou até o portão.
Ela pediu para ele entrar, ele recusou e então disse:
- Você pensou que eu ia deixar você ir sem se despedir?
Seu braço então a segurou fortemente pela sintura e a puxou, seus olhos se cruzaram, ele sentiu seu coração batendo ainda mais forte, usou o nervosismo ao seu favor, aproximou seu lábio do dela e a beijou. Então ele se afastou, ela ainda atônita, ele deu de costas e fez um sinal com os dois dedos que ele costumava fazer e seguiu para sua casa.

Ele chacoalhou a cabeça molhada, olhou para baixo, as mãos entrelaçadas, olhou para frente, ela acabara de sair da casa, sorriu, o coração dele bateu mais rápido, e ele percebeu nesse momento que não conseguiria proseguir, ela era boa demais para ele. Ela pediu para ele entrar, ele recusou. Ela então se aproximou do portão e ele disse:
-Você pensou que eu ia deixar você ir sem se despedir?
Ela sorriu, ele sorriu de volta, ela insistiu para que ele ao menos entrasse na garagem, chovia forte. Conversaram um pouco. Ele a abraçou, desejou uma boa viagem e saiu fazendo um gesto com dois dedos.
Cabisbaixo, ele seguiu para casa, seu coração apertando e pensando que devia te-lo feito.
Ela continuou a observa-lo até ele dobrar a esquina, então fechou o portão, o coração apertou e pensou, ele devia te-lo feito.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz