terça-feira, 18 de agosto de 2009

Horizonte na Savana

Olhava ao horizonte o nascer do sol na savana, o vento fazia a grama se mexer de uma maneira que ela achava engraçada. O rei ainda estava dormindo, assim como as outras, mas ela já tinha acordado fazia um tempo, sempre fazia isso, gostava de ver a cor do céu de manhãzinha, gostava de sentir a brisa e gostava dos poucos minutos que passava sozinha.
O sol subia de forma radiante, sua imponência dava forças a ela, mostrava que haviam coisas mais poderosas do que ele, isso a fazia feliz. Ela sabia que quando ele morresse, seria pelas patas de outro mais jovem e com um apetite sexual ainda maior, talvez fosse seu filho, mas os filhos esquecem as mães quando viram machos alfa. Ainda sim a idéia de que algo tão imponente e lindo quanto o sol ao amanhecer existia lhe dava forças, forças para o longo dia que tinha pela frente.
Ela ouviu um rugido, um longo e poderoso rugido que espantou todos os caçadores e carniceiros da região, ele acordara, consequentemente as outras também, era hora de satisfazer o leão. Ouviu passos vindos atrás dela, eram pesados e fortes, ela preferiu não olhar, abaixou a cabeça e esperou a fera se saciar, então se levantou, e na mesma pose autiva que estava correu. Não ia chegar a lugar nenhum, não havia nada além de todo aquele mato, mas ela correu.
As outras a alcançaram e todas ficaram lado a lado, avistaram um bando de Gnus, era hora da caça.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

Fim de Tarde

Ela se ajoelhou, olhou para suas mãos encharcadas de sangue, olhou apreensiva para o lado, ele estava a salvo, ela conseguira no último segundo. Ela nunca se importara com ele na verdade, mas agora ela entendia o por que das constantes provocações dele, isso a fazia sorrir, e ela pouco sorria na verdade, ela encontrara agora o significado de tudo isso.
Olhou para a barriga, atravessada pela lâmina do inimigo que ela acabara de matar, jorrava sangue, mas ela não sentia dor, a alegria da epifania recém encontrada era mais forte. Ela olhou mais uma vez para ele, estava inconsciente, nunca fora lá muito bom cavaleiro, mas protegia ela contra o preconceito que sofria. Nunca se ouvira falar de uma cavaleira, ela esperava agora que outras mulheres se propusessem a fazer o que ela fez.
Os músculos começaram a não responder e ela caiu deitada, suas pernas doíam por estarem dobradas por baixo, então as ajeitou de maneira agradável, olhou para cima. O vento batia em seu cabelo de maneira suave, sentia a brisa e gostava disso, fechou os olhos para senti-la melhor, gostou disso também. Então abriu lentamente os olhos e a luz a cegou por um breve instante, e ao mesmo tempo que ia recobrando a visão, viu o pôr do sol, estava por entre as árvores, assim ela via apenas alguns raios amarelos e o céu agora avermelhado, sentiu o quentinho aconchegante de fim de tarde e mais uma vez a brisa, ela agora sentia a paz.
A visão foi escurecendo, ela fechou os olhos mais uma vez, sabia que nunca mais veria o pôr do sol, mas nunca tinha visto um tão lindo, então ela pensou que valeu a pena. Sentiria saudade dele, e ele dela, sentiu uma lágrima escorrendo de seus olhos, não tinha mais força para abri-los nem para limpa-la, então deixou escorrer a gota que ia se gelando com o bater da brisa que, agora ela percebia, fazia um singelo barulho que foi ficando cada vez mais longe, até não poder mais ouvir nada.
Deu um último sorriso de satisfação, finalmente entedera a vida, e finalmente estava em paz. A cabeça ficou pesada e pendeu para o lado. Sentiu uma mão levantando-a, percebeu quem era, deu um último suspiro e morreu em seus braços.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Retrato

Seus olhos espunham uma expressividade pouco vista em pessoas do campo enquanto exercem seu árduo trabalho.
Seu rosto havia se contorcido levemente por alguns segundos que geraram uma imagem que só poderia ser vista por treinados olhos de um fotógrafo.
Talvez o filho tenha morrido, talvez ela estivesse morrendo, o mais importante foi a beleza do momento que ficou gravado para sempre na grande película do tempo.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Spatha Vince

Vince Le Fay era um cara aparentemente normal. Podia fazer algumas coisas de maneira bem melhor que o resto da gangue que ele fazia parte e por isso conquistara o respeito do líder.
Os Spatha, a referida gangue, atuava na cidade roubando algumas coisas e fazendo serviços leves, qualquer coisa que pudesse faze-los conseguir um pouco de dinheiro.
Vince nunca conheceu seu pai, fora criado pela mãe e por isso entrara para Spatha, precisava aprender a se virar sozinho. Mas naquele dia ele descobriu quem era o pai, a mãe falara para ele a história que o fez sentir repugnância de suas origens.
De acordo com a mãe, ela era uma prostituta, uma mulher filha de habitantes do deserto que resolveram morar na cidade fugindo da difícil vida. Numa noite qualquer de trabalho, um político importante, Gregorian Le Fay pagara por seus serviços, mas, para a infelicidade de todos, ela engravidou. Foi caçado por agentes do político e se escondeu nos subúrbios da cidade fugindo, onde criou Vince.
Agora ele voltava para casa depois de um dia de trabalho. Ao chegar, a porta se encontrava aberta, ele entrou e encontrou sua mãe morta cheia de tiros. Ele sabia quem era o culpado, e precisava de vingança.
Correu até a sede da gangue e teve uma surpresa ainda maior, todos se encontravam mortos, menos o lider que balbulciava algo enquanto segurava sua enorme espada montante e uma pistola com poder de fogo invejável. Vince se paroximou e o líder apenas entregou as armas, morrendo antes que pudesse dizer algo.
No ápse da fúria, ele pegou as armas e correu desesperadamente até a casa de Gregorian num ato louco de vingança. Logo foi derrubado pelos seguranças e o político apareceu a porta. Haviam muitas pessoas observando, ele devia demonstrar piedade. Disse apenas:
- Esse menino tentou me matar, em troca eu apenas o exilo ao deserto!
Os guardas o escoltaram até o portão. Antes de sair, o garoto lançou um olhar, e seus olhos falaram mais que qualquer coisa. "Eu voltarei, e te matarei!".
Sabia que não seria fácil, mas tinha ouvido falar dos Habitantes do Deserto, aventureiros incrívelmente mais rápidos e fortes que humanos, rebeldes àquele sistema. Vince não se interessava pelos interesses políticos, queria apenas uma coisa, levar a seu pai toda a dor que fora levado a ele por seu pai.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Fudido

- Passa o celular "preibói"! - Dizia o assaltante, mas a vítima não queria cooperar, não dessa vez. Ele já tinha sido assaltado poucos meses antes, tinham levado o celular reserva e seu violão, o violão que ele tanto amava. E agora o cara queria levar o celular que ele tanto amava, uma raiva enorme passou por ele, não tinha como fugir, o cara tava armado e de bicicleta. Fez a única coisa que estava em seu alcance.
- Fudido! É isso que você é seu puto, um fudido! - Falou isso enquanto se aproximava ameaçadoramente do assaltante, assustado, o mesmo apontou a arma.
- Aí meu chapa, para aí se não eu...
- Chapa é a tua bunda, mais respeito, fudido, não tem nem competência pra arranjar um trabalho decente e vem atormentar os outros com essa de - fez uma cara de deboche e sinal de aspas com a mão - "perdeu preibói, perdeu!". Fudido porra louca.
- Cala boca e passa logo essa porra caralho! - o susto havia passado do assaltante e ele parecia nervoso agora. - Eu tenho uma arma e explodo tua cabeça se não passar o celular, e vai rápido. - Apontou a arma para a cabeça do cidadão. O homem então bateu na mão armada do assaltante o fazendo recuar.
- Arma é o caralho, pega essa porra, enfia no cu e atira, aí acho que tu fica satisfeito seu filho da puta, to cansado de fudidinho que nem você!
O assaltante fez menção de atacar mas o homem deu um murro no queixo do outro o derrubando. Deu mais uns chutes em seguida.
- Fudido da porra, nem bala tu tem nessa merda, como vem me assaltar assim?! Sabe nem lutar que nem homem maldito! - Parou um instante de bater, o assaltante estava em posição fetal no chão tapando o rosto, levantou-o devagar ao perceber a parada da saraivada de golpes.
- Quer saber de uma coisa? Me passa a grana! E rápido, porra! - o assaltante entregou o dinheiro ainda tremendo por causa da dor e do susto.
- E o celular também, vai, me da essa merda aí, e vou levar sua bicicleta também! - olhou para a arma do assaltante enquanto subia na bicicleta.
- Me passa essa arma também, tu não sabe nem usar isso! - pegou a arma e foi embora, deu uma leve olhada para trás e viu o fudido tentando, em vão, se levantar.
- Hoje não... - E deu um longo sorriso.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Lua Nova

Ela tinha certeza que vira algo de estranho se movimentar na mata, não era um bicho qualquer, um bicho qualquer não deixaria os cachorros tão alvoraçados, e isso se somava aos porcos e cabras que haviam aparecido esquartejados nas noites anteriores.
Tentou achar o marido, mas periodicamente ele saia de casa a noite, ela nunca tinha se tocado que era sempre na época de lua nova. Isso lhe parecia ligeiramente estranho agora e ela resolveu ir ver por si mesma o que estava acontecendo.
Desceu até o porão e tirou a arma que seu marido usara na guerra. Era realmente engraçado como a tal guerra o havia mudado, ele era outra pessoa desde que voltara, agia de forma estranha e agora percebeu que saía nas noites de lua nova, isso sem falar nas vezes em que ela pensara ter ouvido um gemido de desespero vindo da floresta. Isso já não importava tanto, ao menos não nesse momento.
Adentrou a floresta com seu pastor alemão que parecia realmente assustado. Assustado demais para um cão que já estava acostumado a lidar com lobos, ursos e alguns felinos que apareciam para comer os animais da fazendo vez ou outra.
Ela viu um clarão mais ao fundo na floresta, um clarão vermelho, não parecia fogo. O cachorro entrou em frenesi, e em um desespero alucinante atacou a velha mulher, ela conseguiu atirar no animal a tempo e ficou alguns instantes analisando seu bicho de estimação. Nunca fora agressivo com os donos, e ela sentiu um frio na espinha, alguma coisa ali estava muito errada.
Andou em direção ao clarão, chegando no mesmo viu a cena grotesta. Um animal, não, uma coisa olhava para a pedra que parecia servir de altar á sua frente. Era, vermelha, e, olhando atentamente, parecia seu marido, mas estava sem pele em diversos locais, com músculos e ossos à mostra. Ela tentou se aproximar mais e viu seu marido amarrado na pedra-altar, parecia fraco, fraco demais para algém que acabara de comer galinha ao molho pardo.
A criatura aproximousse do rosto do marido e a boca dela cresceu, aumentou muito de tamanho e uma lingua comprida e pegajosa entrou goela a dentro do homem na pedra. O mesmos começou a murchar como se toda a gordura e água de seu corpo estivessem sendo sugados. Ela soltou um gritinho abafado rapidamente pelas suas mão e começou a correr na direção contrária a cena grotesca.
Em um certo momento da sua correria ela tropeçou e ao tentar se levantar sentiu a presença de algo atrás dela, sentiu uma baforada em seu ouvido e percebeu então o terror, ela logo estaria junto com seu marido.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Esclarecimentos

Um sorriso apareceu na face dela, um sorriso sempre lindo, ele retribuiu, mas seu sorriso era solto, vago. Tudo agora estava esclarecido, como se algo pudesse ser esclarecido daquela maneira.
A vida parecia ser engraçada, tudo se repetia, tudo mesmo, quase que nos minimos detalhes, a menina, o amigo... Ela parecia aliviada, no fundo sabia que não estava tudo realmente bem, sabia que ele ia se importar, sabia que ele ia sofrer, sabia que quando ele a visse com outro, não interessando quem, ele sofreria, seu coração quebraria em milhares de pedaços e se reconstituiría para que ele pudesse sentir a agonia dos primeiros machucados novamente. Mas era muito no fundo que ela sabia, e preferia apenas aceitar o que ele dizia, de que estaria tudo bem.
Ele se mostrou um mentiroso de primeira, é claro que ele queria algo com ela, é claro que ele a queria a seu lado não como amiga, não "ficando". Ele a queria de uma maneira mais profunda, ele a amava, amava o cheiro que ficava grudado em sua roupa depois de um abraço, amava os olhos brilhantes que iluminavam o dia, amava poder conversar com ela assusntos que a maioria acharia chato, amava jogar videogame dela, e amava vencer dela, não por perverção, apenas porque ele poderia ouvir a voz meiga falando qualquer coisa como "bobo".
Mas agora estava tudo esclarecido, e o sonho que ele tinha, e todas as cenas que ele imaginara, todas foram para o esgoto.
Mas mesmo assim, mesmo com toda a frustação que abateceu sobre ele, ele sorriu seu sorriso vago e se divertiu com ela. Ele estava bem no final das contas, estava feliz agora, ela escolhera bem as palavras e não foi capaz de deixa-lo triste naquele momento. E eles foram felizes pelos minutos antes dele ir embora.
Só depois, indo para a casa é que ele pode refletir, e a dor pesou mais que a alegria pois ela não estava do seu lado agora, nunca estaria, e seu peito doeu, uma dor profunda que não podia ser explicada. Ele desligou seu celular, não queria falar com ninguém agora, apenas se afundou em sua tristeza, e pela primeira vez em muitos e muitos anos, uma lágrima escorreu.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Tempo Perdido

Sentia o peito apertado. Falava em inglês, sabia que todos ali entenderiam, mas estava acostumado a falar nessa língua coisas mais pessoais. Olhou para frente, imaginou uma cena de filme, nada demais, algo normal para ele. Começaram a falar algo sobre musicoterapia, ele falou qualquer coisa com bases científicas para disfarçar a agonia, na verdade, para tentar pensar em qualquer outra coisa, qualquer outra coisa que não remetesse a ela.
Seguiram adiante, o amigo que havia a pouco sido deixado em casa tinha dito a verdade, ele queria deixá-la em casa, não só queria, precisava, algo mais do que a própria vontade, algo mais profundo.
Entre palavras meio sem importância e indiretas, talvez diretas incrivelmente perceptiveis os silêncios constrangedores entre os três amigos no carro era ininterrupto. Enquanto falavam, ou tentavam, ele não podia parar de pensar que devia fazê-lo, mas não era óbvio que ela simplesmente recuaria e a amizade, tão linda e admirada por ele, acabaria naquele instante?
Em meio a esses pensamentos o carro atingiu seu destino, ela saiu, depois ele, ainda falando sobre algo de musicoterapia com o amigo, nada que ele realmente estivesse prestando atenção. Borboletas voram loucamente em seu estômago, e como que tentando arrumar coragem ele contiuou a conversar com o amigo por alguns instantes ignorando-a completamente.
É claro que ela sabia o que estava acontecendo ali, e era isso que tornava aquilo mais assustador. Mais assustador.
Ele parou de falar, queria ser o último a se despedir, o amigo captou o recado, talvez ela também... Depois das despedidas ele olhou por poucos instantes, talvez milésimos, para o rosto dela. Milhões e milhões de cenas de todos os tipos de despedida passaram diante dos seus olhos. Ele a abraçou e a largou em seguida, ela parecia também estar tensa, mas se recuperou ao perceber que não passaria de um abraço amigo. Ela entrou em casa falando alguma coisa que a fez sorrir, ele não ouviu nenhuma palavra, a raiva era como um ácido que o queimava por dentro. Raiva, agonia, tristeza, rancor, arrependimento... Ninguém deveria sentir tanta coisa assim.
Ele entrou no carro, bateu a porta com mais violência que o habitual, tentou inutilmente por o cinto de segurança, teve de ser ajudado pelo amigo. Então apenas olhou para frente e passou a tentar suprimir o excesso de sentimentos que passava pela sua cabeça.
Conversou um pouco com o amigo que ia dirigindo, falava sobre o que sentia, de tudo que ouviu captou apenas a parte "se continuar sendo você mesmo, continuarão sendo amigos não importa o que aconteça.".
Ele saiu do carro se direcinando a sua casa, pouco antes de entrar disse apenas "eu só queria ouvir que tenho uma chance, ou que não tenho nenhuma chance.". Entrou em casa, deitou na cama e passou a tentar suprimir os sentimentos sabendo que haveria outra oportunidade. Mas não pode deixar de pensar, apenas por um instante, quantas ainda teria?

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Covardia

Agora ele corria, podia fazer muito mais ele sabia, mas apenas corria. E enquanto corria lembrava de seus parceiros mortos. E enquanto corria levantava gotas de sangue das poças espalhadas pelo chão. Todo o treinamento do mundo não valiam a iminência da morte, e ele apenas corria.
Deu uma singela olhada para trás, o monstro de metal juntava o que havia sobrado de seus companheiros numa pilha humana. Não havia como vencer aquela guerra. Ela já estáva decidida desde antes dele nascer. Mas a centelha de esperança havia sido acesa pelo seu comandante. Bonitas palavras. Agora jaziam em pendaços ao sangue, assim como todos. E ao ver a cabeça do capitão sendo esmagada, a lamparina que mantinha sua centelha foi junto. E por isso, ele apenas correu.
Correu e correu até suas pernas não aguentarem mais o peso no impacto entre seus pés e seu corpo. E quando percebeu que o corpo cedia, ele correu mais.
Seus músculos então enrijeceram, seu pulmão buscou desesperadamente ar, e seus pés foram de encontro a uma pequena pedra no meio do caminho, e seu corpo pendeu, e sentiu o nariz quebrar com o impacto no chão.
Ficou lá, deitado, chorando, esperando o destino fatal. Fechou os olhos, e uma última vez, ele correu.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

terça-feira, 14 de julho de 2009

Péssima Idéia

Foi uma péssima idéia!
Eu descobri o esconderijo do maldito sangue-suga que andava se alimentando do pessoal aqui do bairro. Lógico, para não levantar suspeitas ele nunca matava ninguém, deixava a vítima num estado de torpor, como se tivesse trepado a melhor transa da vida, tirando que as feridas dos dentes aparentemente fecham-se entantâneamente. Mas eu não podia deixar o puto sugar o sangue da minha mulher e sair ileso.
Descobri o endereço de um pessoal, caçadores de mostros sengundo os mesmos. Um bando de fanáticos religiosos, só me serviram pra arrumar umas dicas e armamento.
Mas agora eu sei que foi uma péssima vir até a mansão do bairro, lar do maldito. Me disseram que uma estaca bastava, enfiei um trondo (porque convenhamos, aquela estava tinha tamanho suficiente pra matar um elefante...) nele e o escroto continua avançando, joguei alho, joguei cruzes, joguei água benta... Se eu sobreviver, os próximos da minha lista vão ser aqueles fudidos que me venderam essas porcarias.
Beleza, agora eu to num beco sem saída, atrás de mim tem uma parede, dos meus lados têm paredes, na minha frente tem um puto bem furioso. Ao menos eu interpreto aqueles olhos vermelhos, aquelas garras e aqueles dentes como sinais de fúria de qualquer coisa que levasse um pedaço de pau maior que a minha cabeça no meio do peito.
Eu não tenho muito o que fazer, me disseram que armas de fogo são inúteis contra vampiros... Porra, tudo que eles falaram falhou! Vamos ver do que minha doze é capaz!

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Eu sou Deus!

O tinha na mira, aquele bandidinho filho da puta, já estava com o refem a horas, era apenas puxar o gatinho e a cabeça do sujeito ia se espalhar por toda aquela pútrida casa e o refém ia sair ileso. A vida do bandido estava em suas mãos e pensava ele, "sim, agora eu sou Deus!"

Ele sabia que o tinham na mira, policiaizinhos de merda, acham que podem tudo, que estão acima da lei, pois veja isso agora, tinha a arma apontada para aquele covarde que tremia feito uma gelatina, um puxão de gatilho e ele estourava os miolos do miserável. Pensava ele dessa maneira: "Eu sou Deus agora!"

Um movimento em falso e o malinha atirava, ele sabia disso, sabia também que não podia contar com a polícia, estavam mais preocupados em matar o bandido , talvez matassem ele também, só por diversão. Mas ele tinha aquela tora, bem na sua frente, uma parte da parede de madeira que havia se soltado. Era fácil derrubar o bandido, ele está acuado, com medo, quase já não olha mais para ele. Ele sabe também que o mala está cansado, mal conseque segurar a arma mais, está distraído, um momento de distração e ele quebra as pernas do safado. Está em suas mão deixar o maldito ir preso ou mata-lo agora mesmo e alegar legítima defesa. Ele era Deus nesse momento.

Lá de cima alguém observa crianças brincando com brinquedos idiotas, a arma pode travar, o refém pode derviar, pode não haver tempo para pegar a tora de madeira. Olhando a decadência deles ele apenas vira e volta a jogar xadrez, "não, eles não valem a pena."

Conto baseado na coletânea de quatro contos de Wanderley Garcia, q por acaso ta seguindo esse blog... ^^

Fim da transmissão
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terça-feira, 7 de julho de 2009

Arrependimento

Chovia naquela noite de outono, ele adava pelas gélidas ruas em direção a casa dela. Ia viajar e provavelmente não teria outra chance se não tentasse, ele tinha que conseguir.
A cada passo que dava o seu coração batia mais forte. Tinha memorizado o que dizer, memorizado o que fazer, sabia todos os truques, recebeu todas as dicas. Mas aquilo realmente parecia mais difícil do que ele havia imaginado.
Continuou seguindo até avistar a rua em questão, virou na esquina, as pernas agora fraquejavam, e o coração... Ele não sabia por que ainda não havia tido uma parada cardiaca.
Parou diante da casa, olhou para o portão, o portão o encarou de forma ríspida e ele hesitou. Sabia que era apenas sua imaginação, seu inconsciênte dizendo para ele desistir. Mas ele tinha que apostar as fichas. Pela primeira vez ele ia arriscar algo, e isso parecia ser importante.
Deu um passo a frente, apertou a campainha, deu um passo para trás. Entrelaçou os dedos, tinha essa mania. Ela surgiu na porta, sorriu, seu coração bateu ainda mais forte e ela se encaminhou até o portão.
Ela pediu para ele entrar, ele recusou e então disse:
- Você pensou que eu ia deixar você ir sem se despedir?
Seu braço então a segurou fortemente pela sintura e a puxou, seus olhos se cruzaram, ele sentiu seu coração batendo ainda mais forte, usou o nervosismo ao seu favor, aproximou seu lábio do dela e a beijou. Então ele se afastou, ela ainda atônita, ele deu de costas e fez um sinal com os dois dedos que ele costumava fazer e seguiu para sua casa.

Ele chacoalhou a cabeça molhada, olhou para baixo, as mãos entrelaçadas, olhou para frente, ela acabara de sair da casa, sorriu, o coração dele bateu mais rápido, e ele percebeu nesse momento que não conseguiria proseguir, ela era boa demais para ele. Ela pediu para ele entrar, ele recusou. Ela então se aproximou do portão e ele disse:
-Você pensou que eu ia deixar você ir sem se despedir?
Ela sorriu, ele sorriu de volta, ela insistiu para que ele ao menos entrasse na garagem, chovia forte. Conversaram um pouco. Ele a abraçou, desejou uma boa viagem e saiu fazendo um gesto com dois dedos.
Cabisbaixo, ele seguiu para casa, seu coração apertando e pensando que devia te-lo feito.
Ela continuou a observa-lo até ele dobrar a esquina, então fechou o portão, o coração apertou e pensou, ele devia te-lo feito.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz