Chovia naquela noite de outono, ele adava pelas gélidas ruas em direção a casa dela. Ia viajar e provavelmente não teria outra chance se não tentasse, ele tinha que conseguir.
A cada passo que dava o seu coração batia mais forte. Tinha memorizado o que dizer, memorizado o que fazer, sabia todos os truques, recebeu todas as dicas. Mas aquilo realmente parecia mais difícil do que ele havia imaginado.
Continuou seguindo até avistar a rua em questão, virou na esquina, as pernas agora fraquejavam, e o coração... Ele não sabia por que ainda não havia tido uma parada cardiaca.
Parou diante da casa, olhou para o portão, o portão o encarou de forma ríspida e ele hesitou. Sabia que era apenas sua imaginação, seu inconsciênte dizendo para ele desistir. Mas ele tinha que apostar as fichas. Pela primeira vez ele ia arriscar algo, e isso parecia ser importante.
Deu um passo a frente, apertou a campainha, deu um passo para trás. Entrelaçou os dedos, tinha essa mania. Ela surgiu na porta, sorriu, seu coração bateu ainda mais forte e ela se encaminhou até o portão.
Ela pediu para ele entrar, ele recusou e então disse:
- Você pensou que eu ia deixar você ir sem se despedir?
Seu braço então a segurou fortemente pela sintura e a puxou, seus olhos se cruzaram, ele sentiu seu coração batendo ainda mais forte, usou o nervosismo ao seu favor, aproximou seu lábio do dela e a beijou. Então ele se afastou, ela ainda atônita, ele deu de costas e fez um sinal com os dois dedos que ele costumava fazer e seguiu para sua casa.
Ele chacoalhou a cabeça molhada, olhou para baixo, as mãos entrelaçadas, olhou para frente, ela acabara de sair da casa, sorriu, o coração dele bateu mais rápido, e ele percebeu nesse momento que não conseguiria proseguir, ela era boa demais para ele. Ela pediu para ele entrar, ele recusou. Ela então se aproximou do portão e ele disse:
-Você pensou que eu ia deixar você ir sem se despedir?
Ela sorriu, ele sorriu de volta, ela insistiu para que ele ao menos entrasse na garagem, chovia forte. Conversaram um pouco. Ele a abraçou, desejou uma boa viagem e saiu fazendo um gesto com dois dedos.
Cabisbaixo, ele seguiu para casa, seu coração apertando e pensando que devia te-lo feito.
Ela continuou a observa-lo até ele dobrar a esquina, então fechou o portão, o coração apertou e pensou, ele devia te-lo feito.
Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz
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