Ela olhou para ele mais uma vez, descrente das atrocidades que gritava enquanto ela tentava fazer mais uma prova de amor.
Todas aquelas cartas, as carícias, a intimidade. Não era tudo em vão. Eles eram destinados a ficar juntos e agora ele a destratava. Agia como se ela fosse uma psicótica, xingou-a de rato, inclusive.
Ela continuou a andar de um lado ao outro do cômodo, ouvindo a gritaria de seu grande amor, gritos de medo, gritos de raiva. Nenhum sentimento que sobrepujasse a força do amor dos dois.
Amarrou mais forte as cordas, nada podia dar errado, e abriu a janela. Uma torrente de luz e vento lhe acertou o rosto. Por um breve instante, tudo ficou em silêncio, o sol preencheu os mais sombrios cantos de seu rosto marcado pela rejeição e o vento fez seus cabelos voarem, como se estivesse na água. Ela gostava da água.
Os sons foram voltando aos poucos e, junto com eles, a preocupação. A calmaria foi levada embora e o som das sirenes, megafones e gritos voltou. Ela olhou para baixo, policiais, vizinhos, bombeiros, enfermeiros. Olhou para trás, o amor de sua vida. Se encaminhou até a cadeira e empurrou-a para perto da janela já sem parapeito, ele começou a chorar e gritar descontroladamente. Rogou por sua piedade, rogou por seu amor. Ele não podia entender que aquilo era por amor, que aquilo era por piedade. O mundo não merecia algo tão puro e o mundo o perverteu e distorceu. Esse era o único remédio.
Ela virou rapidamente quando ouviu um barulho alto e agressivo, policiais haviam arrombado a porta e agora se prostravam apontando suas armas inúteis. Tentaram falar coisas sem sentido, convencê-la a desistir. Isso era loucura. Mas o que não era loucura? A única coisa certa agora era ele, e ele gritava de medo, mas não podiam morrer, pois sentimentos são imortais.
Tudo ficou novamente mudo, o sol preencheu, o vento a fez sentir, e ela entendeu o mundo, ela entendeu a vida, ela lembrou. Caiu abraçada a seu amor, os policiais em câmera lenta correndo, a vida crescendo e se espalhando por entre um mar de sensações enebriantes. Suas asas finalmente brotaram, mais uma vez, como era certo de acontecer, certo e justo, e ela o levou para onde nunca estariam sós e nunca brigariam, pois tinham um ao outro.
Sangue e gritos.
Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzz
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
O Fim
As duas espadas se chocaram com um som metálico que fez a espinha de ambos arrepiar, trocaram olhares e se afastaram.
- Está melhor! - disse o homem de preto enquanto punha a ponta da arma no chão e se apoiava na mesma.
O homem que vestia de marrom tornou a atacar, urrou mais forte do que nunca, tudo aparentemente inútil. Ele sabia que era inútil visto que era apenas um guerreiro perante um general. Mas um traidor como ele devia ser punido, e é por isso que ele lutava, não para vencer, a luta já estava perdida, mal aguentava segurar a espada, mas ele pretendia atrasá-lo, os outros chegariam e trariam a justiça àquele traste.
O homem de preto desviava e defendia os golpes com movimentos precisos. A máscara em sua boca impedia a visualização da mesma, mas ele sabia que o homem estava rindo, rindo da patética tentativa de para-lo.
O homem de marrom se movimentou de uma maneira que fez o de preto ser lançado alguns metros para trás e aproveitou isso para tentar um último ataque. O homem então desviou rapidamente de sua tentativa desesperada e o agressor sentiu então a sensação gélida na espinha, um movimento do homem de preto e a espada girou no corpo do de marrom fazendo-o gritar de dor e então retirou a espada.
O fraco oponente caiu de joelhos, o outro se aproximou de seu ouvido sussurrando:
- Já estão todos mortos, por isso me diverti tanto com você, a era dos Bellatores acabou.
Em um movimento rápido o homem de marrom foi decepado. Durante poucos segundo ele olhou para seu próprio corpo se afastando, fechou os olhos e se entregou ao seu destino.
O homem de preto continuou seu caminho e, alguns metros adiante, encontrou os corpos de centenas de outros corpos mortos, decapitados em sua maioria. Alguns homens o esperavam, a maioria vestida de um marrom escuro e um com uma túnica preta com detalhes prateados, o novo Cônsul da ordem de guerreiros mais poderosa que o mundo já tinha visto. Não que isso importasse agora que estava destruída.
Bzzzzzzzzzzzzzzzz
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