segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Tempo Perdido

Sentia o peito apertado. Falava em inglês, sabia que todos ali entenderiam, mas estava acostumado a falar nessa língua coisas mais pessoais. Olhou para frente, imaginou uma cena de filme, nada demais, algo normal para ele. Começaram a falar algo sobre musicoterapia, ele falou qualquer coisa com bases científicas para disfarçar a agonia, na verdade, para tentar pensar em qualquer outra coisa, qualquer outra coisa que não remetesse a ela.
Seguiram adiante, o amigo que havia a pouco sido deixado em casa tinha dito a verdade, ele queria deixá-la em casa, não só queria, precisava, algo mais do que a própria vontade, algo mais profundo.
Entre palavras meio sem importância e indiretas, talvez diretas incrivelmente perceptiveis os silêncios constrangedores entre os três amigos no carro era ininterrupto. Enquanto falavam, ou tentavam, ele não podia parar de pensar que devia fazê-lo, mas não era óbvio que ela simplesmente recuaria e a amizade, tão linda e admirada por ele, acabaria naquele instante?
Em meio a esses pensamentos o carro atingiu seu destino, ela saiu, depois ele, ainda falando sobre algo de musicoterapia com o amigo, nada que ele realmente estivesse prestando atenção. Borboletas voram loucamente em seu estômago, e como que tentando arrumar coragem ele contiuou a conversar com o amigo por alguns instantes ignorando-a completamente.
É claro que ela sabia o que estava acontecendo ali, e era isso que tornava aquilo mais assustador. Mais assustador.
Ele parou de falar, queria ser o último a se despedir, o amigo captou o recado, talvez ela também... Depois das despedidas ele olhou por poucos instantes, talvez milésimos, para o rosto dela. Milhões e milhões de cenas de todos os tipos de despedida passaram diante dos seus olhos. Ele a abraçou e a largou em seguida, ela parecia também estar tensa, mas se recuperou ao perceber que não passaria de um abraço amigo. Ela entrou em casa falando alguma coisa que a fez sorrir, ele não ouviu nenhuma palavra, a raiva era como um ácido que o queimava por dentro. Raiva, agonia, tristeza, rancor, arrependimento... Ninguém deveria sentir tanta coisa assim.
Ele entrou no carro, bateu a porta com mais violência que o habitual, tentou inutilmente por o cinto de segurança, teve de ser ajudado pelo amigo. Então apenas olhou para frente e passou a tentar suprimir o excesso de sentimentos que passava pela sua cabeça.
Conversou um pouco com o amigo que ia dirigindo, falava sobre o que sentia, de tudo que ouviu captou apenas a parte "se continuar sendo você mesmo, continuarão sendo amigos não importa o que aconteça.".
Ele saiu do carro se direcinando a sua casa, pouco antes de entrar disse apenas "eu só queria ouvir que tenho uma chance, ou que não tenho nenhuma chance.". Entrou em casa, deitou na cama e passou a tentar suprimir os sentimentos sabendo que haveria outra oportunidade. Mas não pode deixar de pensar, apenas por um instante, quantas ainda teria?

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

3 comentários:

Dy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dy disse...

o conto ficou...bom meio obvio e talz mas bhem interessante

Wanderley Garcia disse...

quem nunca se arrependeu de perder uma chance?