Sentia o peito apertado. Falava em inglês, sabia que todos ali entenderiam, mas estava acostumado a falar nessa língua coisas mais pessoais. Olhou para frente, imaginou uma cena de filme, nada demais, algo normal para ele. Começaram a falar algo sobre musicoterapia, ele falou qualquer coisa com bases científicas para disfarçar a agonia, na verdade, para tentar pensar em qualquer outra coisa, qualquer outra coisa que não remetesse a ela.
Seguiram adiante, o amigo que havia a pouco sido deixado em casa tinha dito a verdade, ele queria deixá-la em casa, não só queria, precisava, algo mais do que a própria vontade, algo mais profundo.
Entre palavras meio sem importância e indiretas, talvez diretas incrivelmente perceptiveis os silêncios constrangedores entre os três amigos no carro era ininterrupto. Enquanto falavam, ou tentavam, ele não podia parar de pensar que devia fazê-lo, mas não era óbvio que ela simplesmente recuaria e a amizade, tão linda e admirada por ele, acabaria naquele instante?
Em meio a esses pensamentos o carro atingiu seu destino, ela saiu, depois ele, ainda falando sobre algo de musicoterapia com o amigo, nada que ele realmente estivesse prestando atenção. Borboletas voram loucamente em seu estômago, e como que tentando arrumar coragem ele contiuou a conversar com o amigo por alguns instantes ignorando-a completamente.
É claro que ela sabia o que estava acontecendo ali, e era isso que tornava aquilo mais assustador. Mais assustador.
Ele parou de falar, queria ser o último a se despedir, o amigo captou o recado, talvez ela também... Depois das despedidas ele olhou por poucos instantes, talvez milésimos, para o rosto dela. Milhões e milhões de cenas de todos os tipos de despedida passaram diante dos seus olhos. Ele a abraçou e a largou em seguida, ela parecia também estar tensa, mas se recuperou ao perceber que não passaria de um abraço amigo. Ela entrou em casa falando alguma coisa que a fez sorrir, ele não ouviu nenhuma palavra, a raiva era como um ácido que o queimava por dentro. Raiva, agonia, tristeza, rancor, arrependimento... Ninguém deveria sentir tanta coisa assim.
Ele entrou no carro, bateu a porta com mais violência que o habitual, tentou inutilmente por o cinto de segurança, teve de ser ajudado pelo amigo. Então apenas olhou para frente e passou a tentar suprimir o excesso de sentimentos que passava pela sua cabeça.
Conversou um pouco com o amigo que ia dirigindo, falava sobre o que sentia, de tudo que ouviu captou apenas a parte "se continuar sendo você mesmo, continuarão sendo amigos não importa o que aconteça.".
Ele saiu do carro se direcinando a sua casa, pouco antes de entrar disse apenas "eu só queria ouvir que tenho uma chance, ou que não tenho nenhuma chance.". Entrou em casa, deitou na cama e passou a tentar suprimir os sentimentos sabendo que haveria outra oportunidade. Mas não pode deixar de pensar, apenas por um instante, quantas ainda teria?
Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz
Entre palavras meio sem importância e indiretas, talvez diretas incrivelmente perceptiveis os silêncios constrangedores entre os três amigos no carro era ininterrupto. Enquanto falavam, ou tentavam, ele não podia parar de pensar que devia fazê-lo, mas não era óbvio que ela simplesmente recuaria e a amizade, tão linda e admirada por ele, acabaria naquele instante?
Em meio a esses pensamentos o carro atingiu seu destino, ela saiu, depois ele, ainda falando sobre algo de musicoterapia com o amigo, nada que ele realmente estivesse prestando atenção. Borboletas voram loucamente em seu estômago, e como que tentando arrumar coragem ele contiuou a conversar com o amigo por alguns instantes ignorando-a completamente.
É claro que ela sabia o que estava acontecendo ali, e era isso que tornava aquilo mais assustador. Mais assustador.
Ele parou de falar, queria ser o último a se despedir, o amigo captou o recado, talvez ela também... Depois das despedidas ele olhou por poucos instantes, talvez milésimos, para o rosto dela. Milhões e milhões de cenas de todos os tipos de despedida passaram diante dos seus olhos. Ele a abraçou e a largou em seguida, ela parecia também estar tensa, mas se recuperou ao perceber que não passaria de um abraço amigo. Ela entrou em casa falando alguma coisa que a fez sorrir, ele não ouviu nenhuma palavra, a raiva era como um ácido que o queimava por dentro. Raiva, agonia, tristeza, rancor, arrependimento... Ninguém deveria sentir tanta coisa assim.
Ele entrou no carro, bateu a porta com mais violência que o habitual, tentou inutilmente por o cinto de segurança, teve de ser ajudado pelo amigo. Então apenas olhou para frente e passou a tentar suprimir o excesso de sentimentos que passava pela sua cabeça.
Conversou um pouco com o amigo que ia dirigindo, falava sobre o que sentia, de tudo que ouviu captou apenas a parte "se continuar sendo você mesmo, continuarão sendo amigos não importa o que aconteça.".
Ele saiu do carro se direcinando a sua casa, pouco antes de entrar disse apenas "eu só queria ouvir que tenho uma chance, ou que não tenho nenhuma chance.". Entrou em casa, deitou na cama e passou a tentar suprimir os sentimentos sabendo que haveria outra oportunidade. Mas não pode deixar de pensar, apenas por um instante, quantas ainda teria?
Fim da transmissão
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3 comentários:
o conto ficou...bom meio obvio e talz mas bhem interessante
quem nunca se arrependeu de perder uma chance?
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