Sentado em sua cadeira capenga e de estofado levemente rasgado ele ouvia uma lista de músicas aleatórias enquanto escrevia algum tipo de relatório para o emprego sem valor real que ele tinha aos seus quarenta anos. As palavras eram escritas sem nenhuma interesse, algo realmente mecânico, talvez depois daquilo fosse tomar uma bebida com algum amigo.
Uma música começa a tocar, não qualquer música, aquela música tinha um valor especial. Ela o lembrava da primeira namorada, tinha sido realmente difícil conquistar aquela garota, ele tinha agora treze anos e estava parada em frente a casa dela, ela o olha com um sorriso e um certo ar de curiosidade, ele balbucia alguma coisa, ela dá um sorriso e se aproxima um pouco, ele tenta balbuciar algo novamente, ela se aproxima ainda mais, diz que ele não precisa falar nada, isso dá forças a ele que declama seu amor, ela sorri, eles se beijam, um barzinho ao fundo toca a música e ele acorda de seu sonho quando a música acaba. Ele dá um longo sorriso, um sorriso que logo amarela ao perceber de volta os quarenta anos, ele ainda tem a foto dela, ainda a ama, mas ela é passado, e na verdade o que ele sente é nostalgia, coisa de quarentões.
Outra música começa, essa faz seu coração pular, é a mesma música que ele e seus amigos cantavam animadamente na viajem de formatura do ensino médio, estava agora com dezessete anos. Eles tinham escondido um pouco de pinga nas malas de mão para a professora não ver, beberam um pouco, estavam levemente embriagados, o maior tropessou em algo e uma das garrafas caiu no chão se espatifando, o ônibus parou e em desespero os quatro pularam correndo a janela do ônibus, a professora saiu atrás deles que entraram correndo no hotel. Ele deu uma risada, a música passou, e essa fez ele quase ter um ataque. Ele achava que tinha dado um fim nela, era a única música que sua banda tinha gravado, tinha agora vinte anos e sonhos, fazia cinema e tinha a utopia de ser um grande cineasta. Não queria apenas ser mais um, vivia de biquinhos mesmo com todos dizendo para fazer um concurso, ele realmente não queria virar parte da massa. A banda eram os mesmos quatro do ensino médio, mais uma garota, ela era alegre e cheia de ideais, também não seria mais uma, ele tinha uma paixonete secreta por ela. Depois da gravação da música os cinco saem para comer pizza, ele diz que em sua casa terá um forno para pizza, todos riem e dizem que vão fazer uma "pizzaiada" em sua casa enquanto veem os filmes que ele dirigiu e escreveu.
A música acaba e ele se vê novamente com quarenta anos, olha para os lados, nada de forno para pizza, nada de filmes, apenas um roteiro que ficou pela metade. Não vê os amigos a mais de dez anos e sua esposa não é a garota da paixonete, nem se parece com ela. Ele olha para um foto dos cinco no computador, sente um aperto na garganta e fecha a janela que exibia a imagem no computador, se reencosta na cadeira e olha para o relatório, as músicas da lista voltam a ser aleatórias e sem sentido. Ele pensa em ligar para alguém das antigas, a idéia logo vai embora e ele volta a escrever o relatório sabendo que vinte anos mais novo ele sentiria vergonha do que se tornara.
Uma música começa a tocar, não qualquer música, aquela música tinha um valor especial. Ela o lembrava da primeira namorada, tinha sido realmente difícil conquistar aquela garota, ele tinha agora treze anos e estava parada em frente a casa dela, ela o olha com um sorriso e um certo ar de curiosidade, ele balbucia alguma coisa, ela dá um sorriso e se aproxima um pouco, ele tenta balbuciar algo novamente, ela se aproxima ainda mais, diz que ele não precisa falar nada, isso dá forças a ele que declama seu amor, ela sorri, eles se beijam, um barzinho ao fundo toca a música e ele acorda de seu sonho quando a música acaba. Ele dá um longo sorriso, um sorriso que logo amarela ao perceber de volta os quarenta anos, ele ainda tem a foto dela, ainda a ama, mas ela é passado, e na verdade o que ele sente é nostalgia, coisa de quarentões.
Outra música começa, essa faz seu coração pular, é a mesma música que ele e seus amigos cantavam animadamente na viajem de formatura do ensino médio, estava agora com dezessete anos. Eles tinham escondido um pouco de pinga nas malas de mão para a professora não ver, beberam um pouco, estavam levemente embriagados, o maior tropessou em algo e uma das garrafas caiu no chão se espatifando, o ônibus parou e em desespero os quatro pularam correndo a janela do ônibus, a professora saiu atrás deles que entraram correndo no hotel. Ele deu uma risada, a música passou, e essa fez ele quase ter um ataque. Ele achava que tinha dado um fim nela, era a única música que sua banda tinha gravado, tinha agora vinte anos e sonhos, fazia cinema e tinha a utopia de ser um grande cineasta. Não queria apenas ser mais um, vivia de biquinhos mesmo com todos dizendo para fazer um concurso, ele realmente não queria virar parte da massa. A banda eram os mesmos quatro do ensino médio, mais uma garota, ela era alegre e cheia de ideais, também não seria mais uma, ele tinha uma paixonete secreta por ela. Depois da gravação da música os cinco saem para comer pizza, ele diz que em sua casa terá um forno para pizza, todos riem e dizem que vão fazer uma "pizzaiada" em sua casa enquanto veem os filmes que ele dirigiu e escreveu.
A música acaba e ele se vê novamente com quarenta anos, olha para os lados, nada de forno para pizza, nada de filmes, apenas um roteiro que ficou pela metade. Não vê os amigos a mais de dez anos e sua esposa não é a garota da paixonete, nem se parece com ela. Ele olha para um foto dos cinco no computador, sente um aperto na garganta e fecha a janela que exibia a imagem no computador, se reencosta na cadeira e olha para o relatório, as músicas da lista voltam a ser aleatórias e sem sentido. Ele pensa em ligar para alguém das antigas, a idéia logo vai embora e ele volta a escrever o relatório sabendo que vinte anos mais novo ele sentiria vergonha do que se tornara.
Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz
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