segunda-feira, 5 de abril de 2010

Apenas mais um capanga

Ele acordou, sentou-se na cama, olhou para o lado da cama da mulher que estava ausênte, sentiu o cheiro de pãozinho fresco, se levantou, foi até o banheiro, lavou o rosto, voltou ao quarto, trocou de roupa e foi até a cozinha.
Lá estavam, sua vida, esposa e dois filhos, um menino e uma menina. Sentou-se a mesa e pôs-se a comer, teria um dia cheio, finalmente tinha arranjado um emprego, era algo como um segurança, não tinha entendido direito, provavelmente só um jeito difícil de dizer capanga, mas na situação em que ele se encontrava qualquer coisa servia, até utilizar seus conhecimentos de armas e tudo o mais.
Se levantou da mesa após terminar de comer, deu um beijo na menina, um no menino e um na mulher, como ele amava aqueles três... Saiu de casa.
O carro estava concertando, no seu último emprego fora motorista de um homem misterioso que, ao receber ordens de fugir de um carro preto, acabou batendo o carro do homem no seu próprio sendo assim despedido. Era muito azar mesmo, sem emprego e sem carro numa lapada só.
Foi andando pela calçada, admirando os primeiros raios de sol que emergiam, as primeiras crianças a sair e brincar na rua, as primeiras pessoas a sair para trabalhar, tudo parecia tão calmo, na mais perfeita paz. E ele gostava disso, era um homem pacífico, não gostava de violência e muito menos de armas, chegando até a ser irônica sua atual situação.
Ele chegou no tal lugar, um armazém velho, ele não sabia muito bem o que tinha lá dentro, entrou assim mesmo. Viu vários homens armados e, ao fundo, um homem gordo com um terno branco e um anel dourado no dedo, não conseguia ver daquela distância se era no anular ou no do meio.
Um homem, alto e magro, chegou até ele, o empurrou para um vestuário e o entregou um terno e uma UZI, uma UZI!! Ele nunca tinha tocado numa antes, ninguém tinha falado sobre elas no contrato, ele não sabia com uzar uma, como assim?! Antes que ele pudesse pensar sobre o assunto e chegar a conclusão que pouco importava se ele sabia ou não usar aquela submetralhadora, foi empurrado de volta para o que parecia mais uma linha de frente de um exército, tinha bem uns cem homens lá dentro, talvez duzentos.
Estavam todos calados, calados até demais, parecia que esperavam alguém, nenhum dos homens mexia um músculo, nem uma piscadela dequer. Nenhuma daquela atenção foi realmente útil para o que aconteceu a seguir.
Um homem, de uns trinta ou quarenta anos, careca e com uma regata branca entrou portando duas armas, o nosso personagem não soube distinguir, não soube ou não teve tempo. Tempo principalmente, visto que o careca entrou metendo para fuder mesmo! Como diriam alguns de linguajar mais agressivo, "metendo a pica grossa". Tiros para todos os lados, sangue para todos os lados, o nosso homem de família mal teve tempo de apertar o gatilho, o careca chegou perto dele e lhe explodiu a barriga enquanto atirava em mais um pedaço da multidão sedenta e armada. Ele caiu de joelhos, a imagem de seus olhos ficando turva, os sons mais distântes. Antes que ele terminasse a queda, teve tempo de ver o homem de terno branco tentar escapar e ter a cabela estourada pelo careca.
Sua cara caiu ao chão, o careca continuou, provavelmente terminaria de matar todos daquele maldito armazém, talvez fizessem um filme para ele depois, seria vangloriado como herói. Quanto ao NOSSO herói? Bem, ele era apenas mais um capanga.
Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

Nenhum comentário: