sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pôr do sol

Todo dia ela via aquele nascer do sol, e todo dia via também o poente. Todo dia sentia aquela brisa suave que passava por entre suas folhas e todo dia deixava cair alguma. Os raios do sol revigoravam-na todo dia, e as gotas da chuva a refrescavam. Suas raízes puchavam nitrientes da beira do rio, e também impediam que este fosse soterrado. A harmonia na qual vivia era algo que a deixava realmente feliz.
Toc! Algo bateu em seu grande e forte tronco, algo afiado, a dor foi aguda e se desespero se proseguiu por algum tempo, e antes que ela pudesse novamente ver o pôr do sol, caiu para trás. Desde pequena nunca havia chegado perto de cair. Tempestades e vendavais sequer a faziam saculejar... Que força era aquela...
Foi levada até um espaço pequeno, apertado, ali haviam outras como ela. Nevava lá fora.
Algumas pessoas entravam lá e levavam algumas árvores, ela foi ficando, ficando tristes, ficando seca.
Ela então percebeu alguém se aproximar, analisou-a, e a levou. Levou ao que parecia ser sua casa, tudo era muito brilhante e confuso, ela não sabia onde estava, mas definitivamente queria voltar para seu campo, para sua brisa e para... Uma luz fortea envolve, aquelas pessoas colocaram bolas coloridas e luzes nela, tentavam deixa-la mais bonita, ela não podia ficar mais bonita, sem o sol e a água e o chão como poderia ficar mais bonita? Suas folhas caíam cada vez mais, e as pessoas entravam na casa cada vez mais, e ela entristecia cada vez mais.
A luz passou pela janela e ela percebeu que estava sendo levada para outro lugar, foi então que veio a surpresa, uma brisa passou por entre as poucas folhas que ainda restavam, raios de sol... Aquele era o nascer do sol, ela admirou aquela paisagem novamente, a paisagem que sempre admirava foi completamente esquartejada e jogada dentro de um fogão, e enquanto as chamas a consumiam e a transformavam em simples lenha, ela admirava o antes roubado pôr do sol.

Fim da transmissão
Bzzzzzzzzzzzzzzzzz

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